quarta-feira, 29 de abril de 2009

Musica: Cibelle & Azimuth

esse texto era para ter sido publicado no dia 21 de abril de 2009:
pela falta de tempo estou postando-o apenas hoje.

“sou todo errado, sempre fui uma puta” - frase da banda que vi hoje 21 de abril de 2009 no studio sp... o nome da banda: não faço a mínima idéia.

Hoje feriado, dia de Tiradentes, nosso mártir! – e que mártir, diga-se de passagem. Nosso herói, revolucionário, visionário, rebelde, cristo de nossa historia. Nosso imortal. Nosso dentista.
Mas bem não quero entrar nesses méritos.


Fui a um show no ccbb, lá no centro. Show: Cibelle & Azimuth.

Começarei pela segunda. A banda Azimuth, era desconhecida para mim. Um trio – piano, baixo e bateria - de musica popular com 35 anos de estrada. Tocaram muito nos EUA, levando a este país um som desconhecido do Tio Sam: o nosso partido alto. Uma dessas bandas que sem duvida deve agradar muito aos ouvidos do Trajano. O baterista é um desses que prova ao publico que sabe tocar bateria e não apenas dar o andamento. É desses que você fala que o tom da musica é si bemol e ele, por incrível que pareça, toca a musica em si bemol. Improvisa, e mesmo quando erra, sabe que errou, e parece até que errou por sua consciência própria, para dar a musica um caráter mais improvisado e deixá-la mais “ao vivo”. Ao baixista e pianista apenas um adjetivo: fantásticos. E é mesclando bossa nova, partido alto e uma versão lindíssima de “what’s going on” de Marvin Gaye fundindo todos esses estilos, e cantada pelo baterista que eles foram muitíssimos aplaudidos e aprovados pelos - que assim como eu - os desconheciam.

Cibelle:
Cibelle entrou no palco, luxuriosa, supermaquiada, multicolorida. Brasileira, de São Paulo, radicada em Londres, pode ser considerada diferente da maioria das nossas belíssimas cantoras atuais... até porque, ela não é apenas uma cantora, Cibelle é uma artista. Sua musica “eletro-mpb-doityourself-pós-moderna”, inicialmente, causa uma certa estranheza ao público, pois a artista revela seu processo artístico de (re)inventar sua música, ao vivo, na frente de todos, algo nada normal àqueles que frequentam shows de mpb. Ela mostra a todos aquilo que o artista possui de sagrado: seu processo de invenção, de montagem. Pollock foi muito criticado por deixar filmar e registrar seu ato de montagem, e ela faz quase que o mesmo (em suas devidas proporções) nos revelando como uma “coisa amorfa” pode virar musica. Com uma naturalidade incrível e usando laptop, diversos pedais de distorção, midi, teclado, equipamentos de djs, guitarra, brinquedos e outras coisas ela mostra ao público todo o percurso feito até a canção atingir seu estágio final - de arte.
Ao realizar isso, sozinha, no palco, de forma um tanto trabalhosa é que seu espectador vai vendo que ela não é apenas uma cantora. No meio do show Cibelle vai se despindo de sua enorme porção de roupa multicolor. E é ao se mostrar cada vez mais mulher: linda e lasciva, que ela vai parecendo cada vez mais um robô. “Cibelle é um robô” (concluo eu no meio do show) “Ou melhor, um ser surreal”. Depois de fundir todos seus “ruídos”, sua musica atingi uma espécie de orgasmo musical, a hora em que todo o processo, toda aquela loucura inicial, se encontra, todos os sons por ela gravados se unificam à sua voz distorcida, de forma eloqüente. É nessa hora que sua musica termina. É quando todas aquelas maquinas já gravadas se tornam incapazes de se reinventarem sozinhas, que ela acaba sua musica de forma bela, e com muita calma, começa todo o processo de fazer uma nova criação.
No final ela acaba seu show mostrando que mesmo com todo esse processo robótico de manipular os sons não se pode nunca renunciar ao acaso, e é pedindo ao publico três palavras que ela finaliza com uma improvisation.

Cibelle pediu à platéia: "Agora quero três palavras". Disseram: "Paixão, Arruda..." E MARIO, "Xícara". Ela olhou para ele e, "Xícara? Ok." Ao pedir as palavras pensei em gritar: Corinthians! Pois mesmo não sendo meu time queria ver como ela trabalharia com uma palavra – estrangeira - com tamanha força de expressão para nós. Mas não o fiz. Confesso que achei Mario muito mais poético. Muito mais certeiro. Muito mais concreto.

bem ai vai um link de um programa gravado a um ano para se ter ideia do que eu falei.
http://www.youtube.com/watch?v=ILFrXREiLrA&feature=related

Um comentário: