domingo, 3 de maio de 2009

Futebol: se joga na alma.

Todos os domingos dedicarei meus resmungos ao maior mito nacional: o futebol.

Domingo é dia de futebol, domingo é dia de bola, domingo é dia de gol! Esse algo tão simples que é capaz de mudar uma historia. GOL: seja lá de quem for, no domingo sempre haverá gol. Quantos corações que se exaltam num domingo? Quantos corações choram por causa de um único lance em tal dia. Sem duvida domingo é um dia sagrado. Li uma vez que Deus com sua infinita misericórdia permitiu aos homens o conhecimento de apenas três prazeres divinos: um o sexo, o outro: bons vinhos, e por ultimo o êxtase total, o nirvana da alma, o esquecer/foda-se tudo... o ato de gritar. Gritar:

-goooooooooooooooooolllllllllllllllll!!!!!

Hoje por quase todo o país tivemos decisões regionais. Um verdadeiro privilegio. Algo que somente um país tão grande e tão apaixonado pelo esporte é capaz de realizar . Algo que os desenvolvidos não sabem – e nunca saberão – o que é um campeonato regional (até onde eu saiba o Brasil é o único país que possui torneios regionais). Ao contrario do campeonato brasileiro (mais importante), a proximidade das torcidas nos campeonatos regionais traz um número maior de provocações e zoações entre as torcidas. Algo que só aumenta a relação do brasileiro com esse esporte. Amanhã....

“Aguentem tirações”



talvez hoje meu resmungo não se faça tão verdadeiro pelo fato de eu não ter gritado GOL, muito menos: é campeao!

PROVOCAÇAO: "mas tambem, nos ultimos anos, ninguem no país gritou mais isso do que eu!"

enfim, fiquem com Drummond, ele era muito melhor com as palavras do que eu.

Poema da noite


Futebol - Carlos Drummond de Andrade



Futebol se joga no estádio?


Futebol se joga na praia,


futebol se joga na rua,


futebol se joga na alma.





A bola é a mesma: forma sacra


para craques e pernas-de-pau.


Mesma a volúpia de chutar


na delirante copa-mundo


ou no árido espaço do morro.




São vôos de estátuas súbitas,


desenhos feéricos, bailados


de pés e troncos entrançados.


Instantes lúdicos: flutua


o jogador, gravado no ar


- afinal, o corpo triunfante


da triste lei da gravidade.




em breve: resmungos asmaticos-febris sobre a virada cultural!